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Guerra derruba tráfego aéreo mundial em 3,4% em abril, mas Brasil e América Latina se destacam com crescimento, aponta IATA

A Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA) divulgou nesta quinta-feira (29) os dados globais de demanda de passageiros referentes a abril de 2026, revelando uma retração de 3,4% no tráfego aéreo mundial em comparação com o mesmo período do ano passado. Apesar do cenário negativo em escala global, o Brasil apareceu entre os mercados domésticos que registraram crescimento, ajudando a equilibrar as quedas observadas em outros países. Segundo a entidade, o desempenho global foi fortemente impactado pela crise no Oriente Médio. A demanda das companhias aéreas da região despencou 48,1% em abril na comparação anual, reflexo direto da guerra em andamento no Irã. Excluindo o Oriente Médio, a demanda mundial teria apresentado crescimento de 1,2%.

Nos mercados domésticos, a IATA informou que o tráfego ficou estável em relação a abril de 2025. O crescimento registrado no Brasil, China e Japão compensou as retrações observadas em países como Austrália, Índia e Estados Unidos.

De acordo com a associação, a capacidade global, medida em assentos-quilômetros oferecidos (ASK), caiu 2,9% em relação ao ano anterior. Já a taxa média de ocupação ficou em 83,1%, uma redução de 0,4 ponto percentual na comparação anual.

O diretor-geral da IATA, Willie Walsh, afirmou que o setor segue enfrentando um cenário de elevada volatilidade. Segundo ele, além da queda brusca na demanda no Oriente Médio, o aumento no preço do combustível de aviação também tem pressionado o mercado.

“A queda de 46,6% na demanda para as operadoras no Oriente Médio devido à guerra na região foi tão aguda que arrastou a demanda geral para baixo em 3,4%. A situação para o transporte aéreo continua altamente volátil. O custo do combustível de aviação mais que dobrou em abril, o que está pressionando os preços das passagens para cima”, afirmou Walsh.

No segmento internacional, a demanda global caiu 5,3% em abril, enquanto a capacidade teve retração de 5,1%. Ainda assim, sem considerar o Oriente Médio, o tráfego internacional teria crescido 1,9%.

A América Latina apresentou um dos melhores desempenhos do período. As companhias aéreas da região registraram crescimento de 8,9% na demanda internacional em relação ao mesmo mês de 2025. A capacidade avançou 7,2%, enquanto a taxa de ocupação atingiu 84,6%.

Na Ásia-Pacífico, o crescimento da demanda foi de 3%, com recorde de ocupação para abril, alcançando 87,5%. Já as companhias europeias tiveram alta de 0,9% no tráfego internacional, impulsionadas principalmente pelo aumento de voos diretos entre Europa e Ásia.

As empresas aéreas americanas mantiveram estabilidade na demanda, enquanto as companhias africanas registraram crescimento de 2,2% no período.

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